Chapelaria das Palavras


O diabo é que eu olho para trás. Para antes de mim. E quanto mais fundo mais remoto. Mas remoto mesmo, a valer, de tão distante. Desde então até agora muitas mais correntes literárias cantaram as almas das gentes. O diabo é que os poetas modernos todos são concretos. Eu, não. Essa prosa que nasce comigo – ou antes? – já vem empoeirada. Tem muito mofo nela. Prosa mofada, que brota nova desses meus sentimentos velhos, fora de moda, ultrapassados. É como se eu tivesse nascido atropelada por um passado que não me pertence, mas que vem imiscuído nas palavras que eu escolho para dizer de muito, e de nada. E como nada vale e não há Deus que justifique a vida – vivida ou sonhada – jogo as palavras fora. O diabo é que o tempo passa.



Escrito por Chapeleira às 04h04
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Caríssimo,

Quando Anais Nin iniciou sua relação com um outro casal - Henry e June, (Henry, aqui, bom que se esclareça, trata-se de Henry Miller) foi advertida por uma amiga: "cuidado, Anais, o sexo, uma vez conhecendo "desvios" e caminhos mais "ousados", costuma, depois, a não se contentar com menos..." Não foi exatamente assim o conselho, mas muito parecido com isto. O filme, resultado do triângulo (com Maria de Medeiros como Anais e Uma Turmam como June, mulher de Henry) é uma poesia. A relação entre eles foi difícil, e linda. Sabemos que Anais tornou-se mestra na arte de falar do amor, do sexo, e do erotismo, que a maioria de nós não conhece tão bem quanto ela permitiu-se conhecer. Sofreu, pagou o preço de suas investidas, e viveu - no sentido lato do verbo.


A banalidade dos nossos tempos, caríssimo, é o que me preocupa.


Marguerites - Duras e Yourcenar - também viveram, libertárias, experiências amorosas e eróticas avassaladoras. Mas elas eram, como Anais, francesas. Virgínia Woolf, em sua literatura magnífica, fez de Vita Sackville-West, sua
amiga e amante, Orlando, "a mulher imortal". Ambas eram casadas e amavam imensamente seus maridos, Leonard e Harold. Mas elas eram Inglesas, Eduardianas, e sabemos - há coisas que só são possíveis em uma ilha, e o fog londrino deve ser propício a acontecimentos inimagináveis nestes nossos trópicos, suponho.

 

Você diz que eu sou uma "Lady", e sorrio pensando nestas mulheres incríveis. Em todas elas, cuja capacidade de amar me parece para além, sim, de bem e mal. Eis o grande desafio. E que o amor, o sentimento original e originário de infinitas
possibilidades, deve passar por tudo isto apenas para tornar se mais forte, inefável.


Abstrações, meu caro, antes de uma reunião e durante a impressão de páginas que me fazem corar, frente a memória de criaturas como estas que cito aqui. Abstrações e desejos, sinceros, de que tudo dê certo entre você e a sua amada, nos termos que forem necessários, porque são estes, em verdade, os precisos - e preciosos.

 


Amor,

 

 

 

(na foto, a jovem Virgínia Woolf)

 



Escrito por Chapeleira às 05h31
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Olhei meus demônios nos olhos, e eles eram muitos. Chamei-os pelos nomes, pensei em cada uma das vezes que nos vimos. Olhei-os e vi a mim mesma em suas retinas opacas. Ao meu redor, pessoas riam, conversavam, bebiam. A vida seguia sem notar que eu não estava, que eu faltava mergulhada em mim mesma. Escrutinei com precisão milimétrica cada um dos meus infernos, e eles são vários. Não houve um só canto que me passasse despercebido.

  

Sim, esta sou eu. Deste reconhecer-me de ontem me surge hoje esta força estranha. Incomunicável, ainda dentro dos recantos de mim mesma, torno-me em pedra. E quase ouço as vozes de meus amigos pranteando esta partida. Quase sinto suas mãos amigas, crispadas.

 

Não, não mais. Não mais daquela vontade de sentido. É possível, talvez, desenhar os pontos. A linha que os liga é aleatória. De repente caem sobre mim certezas que me assolam, por que não são minhas. São nefandas e concretas. Dão-se a mim sem explicações. O mundo não é para amadores.  

 

Chega de olhar ao redor. Ser-me assim já não basta. E o inteiro, pela eternidade, requer sacrifícios. Eu, exposta em praça pública, já não posso mais ter pena de mim. Este abismo que me encaminha para minhas próprias profundezas é orgulhoso.

 

Tudo o que brilha no outro não me pertence, não se relaciona comigo, e não sinto que a justiça tenha nada a ver com isto. Que brilhem os que foram feitos de luz.

 

Eu, treva e tempestade, já não choro. Perco-me em meus próprios labirintos. Embarco nesta jornada sem pudores de mim mesma. Recolho-me os cacos e construo um todo diverso do anterior. Inaudita, preparo-me para a próxima guerra, que virá. Como na anterior, não haverá testemunhas. Mantenho os olhos abertos.

 



Escrito por Chapeleira às 17h13
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Olho ao redor, e tenho a impressão de nada do que me vale conta. Há um estranhamento na compreensão do viver que me é particular. Sim, sim, a cada um, o seu. A cada um, sua dor. Mas a minha, incomunicável, se esconde atrás dos meus olhos, insuspeita. O ritmo do que sinto não faz sentido para além da fronteira da minha pele. E mesmo aqui, neste canto esquecido do ser-me só, me confunde e me exaure. Divide-me em dez mil pedaços de mim mesma que não formam um todo. E por isto, sou inteira sentir. Tudo o que vejo para além de mim não faz sentido.



Escrito por Chapeleira às 13h57
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Irmã,

 

Hoje li um de teus poemas preferidos em um sarau improvisado. Esses dois adjetivos se entrecortaram em mim e atravessaram uma navalha na minha garganta. A fumaça do cigarro tinha um fluxo contrário, como se só fosse possível respirar se cinza, porque a saudade apertava tanto que nada mais de puro tinha espaço. Minha voz embargada enganou os presentes com as palavras daquele poeta nosso amigo, e nenhum deles soube que a poesia não era em si, e sim na possibilidade de trazer-te até mim.

 

 

(o desenho é “O Fumante Triste”, de Cláudia Jouvin)

 



Escrito por Chapeleira às 04h35
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The day is coming fast, and yet I am still in the night before.

 

O dia aproxima-se rápido, e eu ainda na noite anterior.

Quando o corpo está cansado e o cérebro acelerado,

Não se dorme, não se sente, não se some-se

A isto nada além do estado letárgico de ser-se deitado.

 

Um entreatos, com o teto e a tinta descascada perto da porta.

Um entreatos entre o ser que ama plácido os dias que se aproximam

E o outro que tem horror, que tem preguiça sepulcral do que ainda está por vir.

 

Um quase que ainda não é loucura, mas é desespero e angústia,

Enfasteado da memória atávica que parece não quer nada além do sono.

Nada depois do sono. Nada que prolongue o ser-assim.

 

Há cores, vermelho-ferrugem, que talvez possam romper o ciclo.

Há paixões e sabores que são loucuras sãs e permanecem.

Talvez haja hoje, de fato, alguém para além do ser-se-me-assim.

 



Escrito por Chapeleira às 06h27
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Há tanto tempo. Há tempos para tanto. Nunca há tempo para tudo. Digo nunca com freqüência, e ai daquele que me vier contradizer. Nunca é o que não chega, o que não vem. Qual de nós ainda espera que tudo seja?

 

Há, no entanto, coisas que são diariamente. Saudades, esquecimentos, esquinas, areia. Há mapas que não dizem o imprescindível e mapeamentos que não são possíveis. Há um sem fim de coisas que não quero listar assim, ao léu, a esmo.

 

Por horas leio e releio prosas improváveis e encontro recantos de prazer e dor. A literatura universal me calou as palavras, por hora.

 

Por agora, basta.

 

 

 

 

ps: Você, improvável leitor deste lugar que não existe, não se apoquente. Estão re-inaugurados os trabalhos de ser-me aqui, passado este verão insuportável.

 



Escrito por Chapeleira às 01h56
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A distância embaralha as fronteiras. Tanto e tão profundo que até o tempo se confunde. E se venta, tudo se mistura na areia que carrega o sal. E se chove, a água não lava e não leva a dor da saudade que, guardada, cresce.

 

E se sol, esse opressor, se sol é tudo pior. Se lua nova, os dias inteiros, as sensações antigas. A geografia confunde-se em névoa, lembranças, vontades. Do lado de lá do mar eu não sei.

 

Eu nunca pisei nestas terras de amanhã. É tudo ontem que me invade. Transborda, furioso, apagando o hoje das retinas já cansadas de tanto se verem a si mesmas no espelho impreciso de antes.

 

Há de haver uma música que fale disso tudo melhor do que eu. Mas poderá esta mesma música sentir o que sinto? O que senti? O que espero... A esperança não morre porque nunca descobre o dia de ser-se, eterna moradora do que está por vir. Mas a distância confunde o tempo, e a esperança desaprende seu lugar.

 



Escrito por Chapeleira às 01h00
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A mim muito pouco me interessam

As coisas desenhadas pelo sol,

A ausência de chuva, o calor do verão.

A mim muito pouco me interessam

As alegrias de vida, a verdade não dita,

A paz desejada sem que se saiba porque.

A mim muito pouco me interessam

As lágrimas ou o sal dos oceanos,

A claridade das manhãs dos trópicos.

 

A mim não me interessam os azuis.

 

A mim me interessam os vermelhos,

E depois os cinzas, e que fosse outono,

E que houvesse vento para cortar.

A mim me interessam as imagens

Perpetuamente impressas nas calçadas

Que guardam ainda passos fugidios.

O meu interesse mora nas esquinas

Esquecidas com esforço e sem suspiros,

Mas sempre lembradas, sofridas.

 

A mim me interessam as dores, não os amores.

 

 



Escrito por Chapeleira às 03h30
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Não dizer. Falar por horas a fio e não dizer. Olhar o mundo ao redor cada vez mais distante. Silenciosamente com-preender o funcionamento das coisas, a dinâmica entre os corpos, as dores inauditas. Não se pode conhecer o outro, o diálogo é um esforço vão. Não virá a sensação de ser-se pleno para além de si. É só para dentro. É em seu fundo que o abismo denuncia seus tesouros e detritos. Essa é a última das fronteiras. O que se passa debaixo da pele alheia. A noite, se insônia - e todas as noites são, em si, insones – o silêncio invade o estar-se só, e denuncia a distância entre o ser e o mundo. E o mundo está para além de nós, e não nos chega. Não nos alcança e não nos basta. Não dizer. Não contar nada. E, sobretudo, não esperar que alguém adivinhe a dor que dói em silêncio.

 

 



Escrito por Chapeleira às 18h17
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É tanta gente no mundo, que sufoco. Sufoco e penso nos rostos conhecidos, e concluo que são todos tão lindos, que sufoco.

 

Há tanta beleza esparramada, mãos espalmadas, abraços e beijos jogados ao vento que espalha arrepios de saudade e sorrisos de vontades, que sufoco.

 

Há páginas em branco, amareladas. Há versos perdidos no mapa. Há um novo amor e velhas vontades. Há dúvidas e certezas, transtornadas. Espirros e lágrimas. Há peles de todas as cores. Fogo, carvão, ferrugem e alecrim. Há todos os tipos de sabores, meio-amargos, ácidos, voláteis. Há estações que se confundem, invernos que se precipitam, frios que são na alma, em mim. Há olhos que me olham de lugares impossíveis. Há desejos que escorrem pelas pontas dos dedos. Há verdades de todos os tamanhos e modelos. Não há molde que contenha os transbordamentos.

 

Imagens, fragmentos, canções, são lembrança. A memória é um amontoado do que não foi a construir o que ninguém sabe se será. Na espiral que é o tempo, pulsa, arde e alucina. E tudo o que seria recordação é sentimento.

 

São tantos rostos neste silêncio, que sufoco. É tanta beleza ao meu redor, que estarreço. Não sei lidar com mais de uma coisa a um só tempo. Não sei dizer se é de amor ou distração. Que sufoco.    

 



Escrito por Chapeleira às 01h12
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O SUL DAS COISAS

 

Chove, e faz um vento frio. Dezembro é polar, ao Sul. Bem ao Sul, para lá de tudo o que é possível. Para lá das imaginações européias que sonharam nos trópicos quentes o paraíso. Para lá do amor de verão, das palmeiras imperiais, de tudo o que é irreal e samba em roda com o ar abafado, como um ventilador de emoções. Para além disso tudo, é inverno.

 

Aqui, no Sul das coisas, o amor arde mais fundo, em contraste com o ar gelado, e vem de dentro um sopro cálido, que queima e amanhece antes da hora. Na Londres do século dezenove Byron cantava o impossível, e não se pode culpá-lo. Nada com a neblina para nos fazer ver o amor, desenhado a ferro e fogo na carne clara.

 

As carnes do Sul são claras, e as noites escuras. As luzes coloridas, longínquas, falam de uma época particular, onde é possível a esperança, onde oferecer é obrigatório. Não importam as pequenas luzes, comemorando o aniversário daquele que veio oferecer a outra face. Nada, ao Sul, é de graça.

 

Custa caro o amor, a distância, o alheamento. Aprende-se cedo a sentir e guardar. As sensações explodem inauditas, é tudo silêncio. Os corpos apartados esperam, ansiosos, pelo reencontro. Só sabe quem já esteve para além do mar e do deserto. É assim que tem de ser.

 

E passam-se dias, meses, anos, e comemora-se as datas que se sucedem no calendário. Nada disso importa. É como se o tempo parasse, gelado, suspenso no ar. É como se o único ciclo fechado fosse o polar. Ao Sul das coisas, aprende-se a sentir eterno.

 



Escrito por Chapeleira às 14h27
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Uma página em branco me olha, furiosa. Não sei dizer se grita comigo porque ainda não a preenchi com palavras, eu se berra porque gastei palavras demais em outros lugares. Tenho escrito, dito e pensado muito. Tenho jogado fora muito de mim. Tenho atirado contra a parede, a cama, a página, muito mais do que devia. Tenho me exposto em praça pública, de mãos vazias. Tenho tentado entender além da conta, tenho feito muitos tipos de esforços. Mas por mais palavras que eu use, por mais que meça os silêncios, por mais que fique quando quero fugir (sim, insisto na coragem, ainda que suicida!) bato sempre de encontro à mesma tecla. Não é a saudade a me arranhar a garganta, não é o amor transbordando pelos meus dedos, não é a distância ardendo na minha alma. Estas coisas eu conheço, eu agüento, eu gosto. O que me exaspera e me prostra (olhos rasos d’água, fundos) é este muro de concreto armado contra o qual me bato. A incompreensão do outro é intransponível. E se não há outros, se fôramos um, como é possível que não se perceba a precariedade de tudo que não é inteiro? Eu não gosto de migalhas. A medida com que se mesura o mundo é individual e intransferível. Os detalhes não são pequenos. Saudades, sim, saudades. Do que eu conheço, do que eu sei de cor, e do que eu perco por querer completo. E tudo isso reverbera, mas só em mim. Não passa para a página, não transpõe a tecla, não atravessa o muro. Uma fortaleza cheia de saudade. Logo, vazia. 

 

 



Escrito por Chapeleira às 16h33
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O Super-Herói oficial da Chapelaria está chegando!

 

Preparem-se!

 



Escrito por Chapeleira às 14h26
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Acorda, meu amor, e vem ver o sol já alto. Olha comigo pela janela e vê que o domingo resplandece sem sentir a sua ausência. Vê minhas olheiras; elas denunciam a falta da carne que me alimenta, do suor que mata a minha sede, dos olhos que me iluminam nas madrugadas altas. Vê, meu amor, que as coisas do mundo são as mesmas, mas eu já não sou mais? Eu, ímpar, transtornada em par, sozinha, sem notícias. Eu, vítima de mim mesma, da minha angústia, da saudade de você. Você que me desespera à distância mais do que quando perto. E quando perto já me tira do prumo, me confunde os pontos de vista, bagunça os horizontes em ontem, hoje e amanhã. Acorda, meu amor, escreve para mim, e diz que me ama, que volta em breve para casa, que sem mim você já não sabe mais viver. Vamos, acorda, meu amor, que você gosta de perder a hora e dorme sempre mais do que a cama. Mas hoje, hoje não. Acorda, e fala comigo. Acorda deste sonho ruim dos últimos dias, e volta a sonhar como antes. Acorda, e vem, e me abraça, e me diz, no plural, que estamos bem. Eu amo você também.



Escrito por Chapeleira às 15h59
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