Chapelaria das Palavras


As emoções humanas são demasiado intensas. E esta, em particular, que na verdade é tantas e uma só, esta que não se explica, que não avisa sua chegada, que transborda incontida, ganhando vida própria e me transformando nesses retalhos de mim mesma, esta eu não sei... Essa um dia me parte ao meio, ou antes, em mil pedaços de mim.



Escrito por Chapeleira às 01h42
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Resposta à sua pergunta.

 

E você me pergunta, por curiosidade, se eu sei claramente o meu “para quê” e “para onde”. Me pergunta assim, numa linha, numa manhã chuvosa de quinta-feira, com a propriedade de quem está acostumado a fazer as perguntas certas.

 

Carrego sua pergunta comigo, vamos juntas à livraria, ao jantar, à casa de amigos. Converso, entrecortando os assuntos, assisto à um filme francês, faço as escolhas do dia. Mas não me esqueço da sua pergunta. Vencida, as cinco horas da manhã, em frente à estante de livros, resolvo responde-la.

 

Não, não resolvo, simplesmente. Preciso responde-la. Preciso responde-la a você. A resposta certa talvez coubesse em uma única linha, como a sua. A excelência da síntese parece me faltar. Percorro a literatura, em busca de auxílio. Poetas e Filósofos me sobram. É a tua resposta que me falta.

 

Você sabe? Você sabe claramente? Há muitas coisas que você não sabe, eu sei. Embora tente me ater à pergunta inicial, me divirto pensando em tudo que você nem imagina. Ou imagina? Ou sabe, agora?

 

Não, claramente não. Ao menos não o “para quê”. A mais filosófica de todas as questões não está colocada para ser respondida. Assim como o problema existe para estar resolvido. O mais é impotência. E “para onde” quer que seja já não importa. 

 

Importaria talvez se não fossemos conterrâneos, embora desde sempre desterrados. Importariam, talvez, de novo e uma vez mais, as grandes questões, se nestes dias de chuva não me viesse sempre a mesma, pequena se comparada as que cabem em sua única linha. Essa nova questão que me rouba de todas as outras me acompanha desde antes da sua pergunta, que não sei responder.

 

Não sei responder mais nada. E escrevo esta resposta numa tentativa frustrada de voltar a pensar livremente. Todas as livres-associações me trazem de volta ao ponto de partida. Não à sua pergunta, mas à sua capacidade de faze-la. E faze-la assim, de brincadeira, de manhã. São tantas as perguntas sem reposta. Esta, inclusive, que não me sai da cabeça. Você sabe? Agora?

  



Escrito por Chapeleira às 22h37
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Cara Filha do Maestro,

 

Li o seu post sobre a confusão entre os meninos do Los Hermanos e o Chorão do Charlie Brown, e fiquei pensando na vida.

 

Você sabe que eu sou a favor da liberdade de expressão. Nenhum problema com a declaração do Camelo na entrevista ao Bruno. Nenhum problema com a postura, digamos, reservada dos Hermanos, que são hábeis o suficiente para passar uma borracha sobre a Ana Julia e tornarem-se, quem diria?, músicos sérios e prestigiados. Os amigos do Caetano. Nenhum problema com o Bruno, que estava, afinal, tentando “descobrir a personalidade” deles – sabe lá o que isso quer dizer.

 

Agora, venhamos e convenhamos, nenhum problema também com o Chorão enfiando a mão na cara do Camelo. Afinal, cada um se expressa como quer. E se um não quer, dois não brigam. Não mesmo, porque sempre entra um terceiro para interceder por um dos dois primeiros, e assim é a vida.

 

Não, eu não acho que a violência resolva coisa alguma, nem acho que o Chorão fez uma tentativa de resolver nada. Ele estava defendendo um ponto de vista – não gostou da entrevista, e pronto. Sem meios-termos. Porrada na cara, nariz quebrado e ponto de vista compreendido. Aposto que se o Bruno tivesse entrevistado o Chorão, a entrevista seria bem mais pungente – com trocadilho.

 

A coerência “cool” dos Hermanos esbarrou na incoerência descontrolada do Chorão. E quando foi que os nossos “infat- terribles” assinaram esse novo código de honra? Porque todo mundo tem que ser amigo de todo mundo? Porque o Amarante – que é um doce, é verdade – tem que amenizar o que o Camelo disse? Para não pegar mal? A única coisa que me incomoda nisso tudo é a declaração meio-termo dos Hermanos - que por mim podem ficar à vontade, brincando de ser feliz por aí.

 

Eu não escuto Charlie Brown, mal conheço o Chorão, e não estou defendendo a porradaria geral e indiscriminada. Acho – e isso é uma opinião minha, não uma verdade absoluta – que quanto mais inteiro se é, melhor. Todos sabemos o que o Chorão achou das declarações dos Hermanos. E qual de nós sabe o que os Hermanos realmente acham do Chorão?

 

Pode-se gostar ou não da destemperança do moço, assim como pode-se beber ou não Coca-Cola. Cada um sabe de si – eu sei, isso está na entrevista. Mas o problema de ficar em cima do muro é que se corre o risco de cair. Afinal, o Chorão não é a Maria Rita.

 

Abraços,

 

 

(Eu enviei este comentário para o blog de uma amiga – sei que o assunto é polêmico e o meu ponto de vista capaz de provocar maremotos. Mas alguém tem que fazer o “advogado do diabo” – e eu me disponho, sem problemas. Ando bem cansada da obrigatoriedade do “politicamente correto”, e do uníssono à favor da “paz”, e dos abraços à Lagoa Rodrigo de Freitas.)

 



Escrito por Chapeleira às 00h20
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