
Chove, faz frio e tenho saudades. E na linha nublada do horizonte de amanhã eu vejo os olhos azuis que me acompanham sempre. São olhos constantes, com olhares diversos. O tempo passa e linhas novas tornam-se antigas, e outras surgem. Mas o colorido é o mesmo, não esmaece. Estes mesmos olhos confundem-se com as cores, e talvez nem saibam como são azuis. Estes olhos procuram pelo mar, e não há mar mais profundo do que eles. O espelho talvez não reflita as muitas artes que aprendi observando este olhar. O mundo, para fora dele, talvez seja cinza, nestes tempos de agora. Alguns desejos frustrados, sonhos distantes, manhãs difíceis. Imagens de um tempo que não conheci. Silêncios que não conheci. Porque a herança que trago em mim, à parte os olhos castanhos, é sempre azul, e terna, e cheia de palavras. As minhas palavras, as muitas palavras que me permitem respirar e ser, eu as encontrei ali, na imensidão azul que me protege. Nunca desatentos, nunca distantes, vencedor em mim e força primeira que me impulsiona. E tudo o que estes olhos viram me forma, e as linhas ao redor deles contam a minha História, e em minhas retinas está impressa, a ferro e fogo, esta vitória. E eu, rochedo e areia do deserto, sou também um pouco azul por conta destes olhos que me olham, que impossibilitam a distância, e que me trazem de volta para casa. É noite, e azul ao meu redor.

Todos os dias são seus.

Amor,
Escrito por Chapeleira às 01h43
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