
Não dizer. Falar por horas a fio e não dizer. Olhar o mundo ao redor cada vez mais distante. Silenciosamente com-preender o funcionamento das coisas, a dinâmica entre os corpos, as dores inauditas. Não se pode conhecer o outro, o diálogo é um esforço vão. Não virá a sensação de ser-se pleno para além de si. É só para dentro. É em seu fundo que o abismo denuncia seus tesouros e detritos. Essa é a última das fronteiras. O que se passa debaixo da pele alheia. A noite, se insônia - e todas as noites são, em si, insones – o silêncio invade o estar-se só, e denuncia a distância entre o ser e o mundo. E o mundo está para além de nós, e não nos chega. Não nos alcança e não nos basta. Não dizer. Não contar nada. E, sobretudo, não esperar que alguém adivinhe a dor que dói em silêncio.
Escrito por Chapeleira às 18h17
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