
A mim muito pouco me interessam
As coisas desenhadas pelo sol,
A ausência de chuva, o calor do verão.
A mim muito pouco me interessam
As alegrias de vida, a verdade não dita,
A paz desejada sem que se saiba porque.
A mim muito pouco me interessam
As lágrimas ou o sal dos oceanos,
A claridade das manhãs dos trópicos.
A mim não me interessam os azuis.
A mim me interessam os vermelhos,
E depois os cinzas, e que fosse outono,
E que houvesse vento para cortar.
A mim me interessam as imagens
Perpetuamente impressas nas calçadas
Que guardam ainda passos fugidios.
O meu interesse mora nas esquinas
Esquecidas com esforço e sem suspiros,
Mas sempre lembradas, sofridas.
A mim me interessam as dores, não os amores.
Escrito por Chapeleira às 03h30
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