
A distância embaralha as fronteiras. Tanto e tão profundo que até o tempo se confunde. E se venta, tudo se mistura na areia que carrega o sal. E se chove, a água não lava e não leva a dor da saudade que, guardada, cresce.
E se sol, esse opressor, se sol é tudo pior. Se lua nova, os dias inteiros, as sensações antigas. A geografia confunde-se em névoa, lembranças, vontades. Do lado de lá do mar eu não sei.
Eu nunca pisei nestas terras de amanhã. É tudo ontem que me invade. Transborda, furioso, apagando o hoje das retinas já cansadas de tanto se verem a si mesmas no espelho impreciso de antes.
Há de haver uma música que fale disso tudo melhor do que eu. Mas poderá esta mesma música sentir o que sinto? O que senti? O que espero... A esperança não morre porque nunca descobre o dia de ser-se, eterna moradora do que está por vir. Mas a distância confunde o tempo, e a esperança desaprende seu lugar.
Escrito por Chapeleira às 01h00
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