
Irmã,
Hoje li um de teus poemas preferidos em um sarau improvisado. Esses dois adjetivos se entrecortaram em mim e atravessaram uma navalha na minha garganta. A fumaça do cigarro tinha um fluxo contrário, como se só fosse possível respirar se cinza, porque a saudade apertava tanto que nada mais de puro tinha espaço. Minha voz embargada enganou os presentes com as palavras daquele poeta nosso amigo, e nenhum deles soube que a poesia não era em si, e sim na possibilidade de trazer-te até mim.
(o desenho é “O Fumante Triste”, de Cláudia Jouvin)
Escrito por Chapeleira às 04h35
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