
Olho ao redor, e tenho a impressão de nada do que me vale conta. Há um estranhamento na compreensão do viver que me é particular. Sim, sim, a cada um, o seu. A cada um, sua dor. Mas a minha, incomunicável, se esconde atrás dos meus olhos, insuspeita. O ritmo do que sinto não faz sentido para além da fronteira da minha pele. E mesmo aqui, neste canto esquecido do ser-me só, me confunde e me exaure. Divide-me em dez mil pedaços de mim mesma que não formam um todo. E por isto, sou inteira sentir. Tudo o que vejo para além de mim não faz sentido.
Escrito por Chapeleira às 13h57
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